Domingo, 19.05.13

Bolachas de manteiga de amendoim


 

Embora a temperatura nos leve a pensar que não estamos na Primavera, a verdade é que as frutas, flores e animaizinhos dão-nos a certeza que o Verão está próximo. Por isso, só podemos estar mesmo na Primavera, e temos que fazer de tudo para convencer o cérebro disso. É isso mesmo que tenho visto, apesar da sensação térmica de cinco graus centígrados não faltam pessoas descapotadas, de unhaca de fora - e outras coisas à mostra - a dar azo à sua coragem ao enfrentar ventos ciclónicos e chuvas geladas, sem guarda-chuva e pensando que são só umas pinguinhas. "Está calor, tenho calor, viva o calor!", devem repeti-lo como uma espécie de mantra para se convencerem disso e eu, que sou uma ovelha negra e que insisto em não andar atrás da maioria, passo de capote até às orelhas e meias opacas até ao pescoço; e ainda tenho a lata de avisar uma beata zelosa, que está agachada a preparar o tapete da procissão, que o fio dental está à mostra. Há gente que não se sente, e ainda bem que a imagem no altar tem olhos mas não vê, porque senão havia de ser bonito :)

 

Ingredientes:

1 chávena de açúcar

1 ovo

1 colher (chá) bicarbonato de soda

1/2 colher (chá) extrato de baunilha

1 chávena de manteiga de amendoim

1 chávena de amendoins partidos (opcional)

 

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Numa tigela, bata o açúcar com o ovo, o bicarbonato e baunilha. Adicione a manteiga de amendoim e os amendoins partidos. Envolva até ficar homogéneo. Coloque colheradas de massa em tabuleiros untados, deixando-as distanciadas umas das outras. Leve ao forno por cerca de 10 minutos. Retire e deixe arrefecer.

 

Notas:

Não usei amendoins partidos, a minha manteiga de amendoim é suave e obtive biscoitos com uma massa mole, perfeita para comer com frutas vermelhas e até um pouco de chantily, para quem gostar.

Receita retirada daqui

 

Bom Domingo!

Domingo, 05.05.13

Manteiga de amendoim caseira

 

 

A Primavera está finalmente aí e eu, este ano, decidi que queria sol e calor. Esqueci-me do sofrimento, dei uma de romântica menininha que queria vestir os longos vestidos coloridos, besuntar o corpo de protector solar e sair por aí de óculos de sol na tromba. Desde sempre ouvi dizer que temos que ter cuidado com aquilo que desejamos. Oh se eu me tivesse lembrado disso antes! Com certeza teria permanecido no lânguido Inverno do meu descontentamento e que bem eu estaria.

A Primavera trouxe-me uma alergia repentina a esse pólen leve e arredio que veio para ficar. Espirro de manhã à noite, tenho comichão até ao cerebelo e há sempre uma narina que insiste em entupir. Depois dos 30 é sempre a descer, confiem nisso. Para além disso, há aquele manhoso bichinho que aparece como se nada fosse, sem ninguém o chamar. Amaldiçoados gafanhotos que saltitam de pedrinha em pedrinha. A semana passada tive um encontro de terceiro grau com a mais alta patente dos gafanhotos, era tão grande que devia ser o avô de uma cambada deles, e esbarrou-se nas minhas pernas. Vindo de trás, espatifou-se contra mim e ficou, visivelmente, transtornado. Como é óbvio, depois do meu cérebro se ter apercebido que objecto voador era aquele, dei a correr até casa com um friozinho no estômago e uma vontade louca de gritar.

Resumindo: estou traumatizada, chateada, constipada e enfiada em casa porque o calor lá fora é o maior inimigo dos meus desejos. O projecto de uma Primavera anunciada, saiu furado. Fazem-se receitas caseiras, que é para não correr o risco de ir ao supermercado e encontrar uma praga de gafanhotos pelo caminho :) 

 

Ingredientes (adaptado daqui):

 

1 1/2 chávena de amendoins

1 1/2 colher (sopa) óleo

1 colher (chá) de extracto de baunilha

1/4 chávena de mel

 

Preparação:

 

Asse os amendoins no forno por alguns minutos, deixe arrefecer e processo-os na liquidificadora cerca de 5-7 minutos até obter uma pasta grossa. Junte o óleo e a baunilha e pulse até a mistura ficar mais cremosa. Se achar necessário, vá juntando um pouco de óleo de cada vez. Adicione o mel e processe por mais alguns minutos.

Guarde à temperatura ambiente durante uma semana ou refrigere no frigorífico se mantiver a manteiga de amendoim por mais tempo.


Rendimento: 1 1/2 chávena.

 

Bom Domingo!

Segunda-feira, 15.04.13

Shot de ruivas

 


 

Tinha a Frida ferida, o Van Gogh mutilado e o hipocondríaco Warhol, mas nestas coisas o coração fala mais alto e é impossível resistir a um pintor amante de felinos. Tendo eu um irmão pintor, foi natural crescer com arte dentro de casa. Ele apresentou-me aos livros, à música e à pintura. Até hoje acho que ele desconhece a importância que teve na minha formação como pessoa. Tenho apenas que lhe agradecer. Felizmente, está sempre convidado para jantar, é só aparecer. Para hoje temos Klimt, pelo seu amor aos gatos e à feminilidade. Tenho certeza que também seria um bom garfo, de gelatina não sei se gosta mas não o censuro, porque eu mesma detestava gelatina até há pouco tempo. A caseira é sempre melhor e para sobremesa, depois de um jantar deveras colorido como uma tela de Klimt, terminamos com um shot ruivo para que Klimt o sorva com tanta paixão quanta pintou as suas melhores obras.


Gelatina de laranja (Chucrute com salsicha):

 

1 1/4 chávena de água fria

1 chávena de açúcar

1 pau de canela

3 tiras de casca de laranja

2 1/2 chávena de sumo de laranja

1 colher (sopa) de sumo de limão

4 1/2 colher (chá) de gelatina em pó

 

Preparação:

Coloque numa panela a água, canela, açúcar e as tiras de laranja. Leve ao lume, mexendo até que o açúcar dissolva.

Deixe ferver, desligue e deixe arrefecer. Leve ao frigorífico e deixe descansar por 2 horas. Passe o xarope obtido num coador e reserve.

Separe 3/4 do xarope para uma panela. Numa tigela misture o xarope restante com o sumo de laranja e de limão.

Salpique a gelatina sobre os 3/4 de xarope e leve a lume médio até a gelatina dissolver. Despeje a mistura de xarope e gelatina na mistura de sumo de laranja. Misture bem, coloque numa forma molhada e leve ao frigorífico até solidificar. Retire, deixe descansar e vire num prato.

 

 

Com esta gelatina participo na 11ª edição do Convidei para jantar, iniciativa da Anasbageri, este mês alojado no blog panela sem (de)pressão cujos convidados são pintores.

Sexta-feira, 05.04.13

Bolo de banana e cerejas



Depois de um carregamento de bananas, continuamos nos bolos. Este tem um ar bem mais alegre, faz lembrar a primavera que teima em não aparecer. Está frio e vento e não há ânimo para cozinhar. A vontade de comer é que não se vai embora :) Bom sinal.

O melhor deste tempo é que ontem vi um arco-íris e levei uma injecção de energia vital. Há sinais do céu que nos lembram coisas boas na terra.

Preparem-se para a chuva e muito bom fim de semana a todos ;)

 

 

Bolo de banana e cerejas (adaptado do site BBC

 

40 g de cerejas cristalizadas

75 g de nozes

110 g de manteiga amolecida*

110 g de açúcar

2 ovos

3 bananas maduras

175 g de farinha de arroz**

50 g de maizena 

2 colheres (chá) de fermento sem glúten

 

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180º. Corte as cerejas aos pedacinhos e junte às nozes.

Bata a manteiga com o açúcar até ficar suave. Adicione os ovos, um de cada vez, e bata entre cada adição.

Amasse as bananas e adicione à mistura. Peneire a farinha de arroz, a maizena e o fermento e envolva cuidadosamente na mistura de bananas. Gentilmente adicione as cerejas e nozes. Coloque na forma e leve ao forno até dourar.

 

*Para um bolo sem lactose, usei planta de soja.

**Caso prefiram e não tiverem qualquer intolerância ao glúten, podem usar farinha normal para bolos.

Segunda-feira, 28.05.12

Arroz doce do Pappou

 

 

Continuando numa fase sem glúten, porque não me imagino com intolerâncias e alergias alimentares e conheço de perto a infelicidade de não se poder comer aquilo que mais apetece. Aliás, hoje estou um bocadinho assim. Apetecia-me um quadradinho de chocolate e não tenho nada disso em casa :) Também não tenho arroz doce, senão marchava já bem depressa. Como ainda estou a voltar aos eixos depois de tanto tempo de ausência, ainda não consegui organizar muito bem a minha rotina para ter um pouco mais de tempo para os blogs e para dar forma a tudo o que quero cozinhar. Fica esta sugestão bem portuguesa mas com um toque internacional vindo do avô da Tessa Kiros.

 

Ingredientes:

250 g de arroz de grão médio ou longo (eu prefiro o carolino)

2 litros de leite

3 colheres (sopa) de açúcar

canela moída (ou água de rosas), para servir

 

Preparação:

Coloque o arroz numa panela de fundo grosso, cubra generosamente com água e leve a ferver por 20 minutos. Coe o arroz. Lave a panela e coloque o leite. Leve ao lume e, quando começar a ferver, adicione o arroz e leve novamente a ferver. Baixe o lume e deixe cozer por 20 minutos, mexendo frequentemente com uma colher de pau para que não cole ao fundo. Adicione o açúcar e deixe cozer por mais 10 minutos antes de retirar do lume. Deixe arrefecer por cerca de 15 minutos na panela e coloque em tigelas. Salpique canela moída por cima antes de servir. Pode ser comido imediatamente ou ser colocado no frigorífico por algumas horas.

 

 

Bom início de semana a todos!

Segunda-feira, 07.05.12

Bolo de arroz e coco



A Susana e eu somos amigas desde o 7º ano de escolaridade e, desde aí, nunca deixamos de nos falar. Vivemos as desgraças uma da outra, rimos juntas e tagarelamos descontraidamente à volta da mesa do lanche. Ultimamente, não tenho podido ir lá a casa provar as coisas boas sem glúten que ela faz. Tem sido uma batalha complicada viver sem glúten, mas ela tem descoberto coisas tão boas ou melhores do que aquelas a que estávamos habituadas. Não há mais fanta nem queques de chocolate para partilhar, mas a culinária sem glúten também oferece surpresas saborosas e agradáveis.

A maior dificuldade começa logo na procura da receita, não podemos usar as tão comuns farinhas de trigo que temos na dispensa. Óbvio que, se pensarmos bem, já todos fizemos algo sem glúten, há por aí uma cambada de bolos que nem levam farinha nenhuma. Depois há aquele lado da Susana que é intolerante à lactose. Decidi-me que, sendo uma receita para ela, teria que ser sem lactose e sem glúten. Descobri algo que me interessou no blog da Gourmandise. É um bolo que, na minha opinião, deve ser comido morno. Pelo que me lembro, é comum as coisas sem glúten ficarem menos boas no dia seguinte. Ou seja, é um bolo para devorar à volta de uma boa conversa e um chá fumegante.

Titi, força nisso!

 

Ingredientes:

200 g de arroz agulha cru

360 ml de água filtrada

180 ml de leite de coco (pode substituir 50% por água filtrada)

120 ml de óleo de girassol

2 ovos

115 g de açúcar

1/2 colher (sopa) de fermento químico

1 g de sal marinho

20 g de coco seco ralado

 

Preparação:

Lave muito bem o arroz em água corrente. Deixe de molho em 360 ml de água filtrada durante 8-12 horas. Escorra e reserve.

Liquidifique o leite de coco, óleo, ovos e açúcar por 4 minutos. Junte o arroz escorrido e bata por mais 6 minutos. Adicione o fermento e bata rapidamente para incorporar.

Verta em forma rectangular de 18x28 cm untada com óleo e polvilhada com farinha de arroz. Espalhe o coco ralado por cima. Asse a 180ºC por 30-40 minutos. Deixe arrefecer por 10 minutos e corte o bolo.

 

Boa semana a todos!

mais sobre mim

a possuída moída

Sobrevivo numa selva de hipocrisia, burocracia e cegueira de quem não quer ver. Prefiro não me lembrar da crise de valores que vivemos, mesmo sendo quase impossível esquecer-me disso. Cozinho e como com prazer, mesmo que alguma culpa surja depois. Gosto de andar a pé sozinha, viajar de comboio com um livro na carteira, dizer "Bom dia" com convicção e a sorrir. Ajudar quem precisa é o que me permito fazer sem pensar duas vezes, embora haja muita gente mal-agradecida. Sou adepta da boa disposição, da humanidade e respeito nos serviços de saúde e educação, acredito na capacidade de generosidade e bondade das pessoas que me rodeiam. Entristece-me que, nem sempre, essas capacidades sejam canalizadas quando deveriam. Não gosto das vizinhas coscuvilheiras e de pessoas mal educadas, prepotentes e ocas. Os meus olhos transmitem tudo o resto de mim e são cor da canela. Amo a Fauna e a Flora. Adoro o Outono e as folhas que caem. Não vejo qualquer utilidade em peluches. E a única coisa que é afrodisíaca é o amor.

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