Pão custard com sementes de papoila



Há manhãs em que uma mulher à tarde não devia sair à noite. Confusos?
Pois, é assim que eu me sinto também depois de um dia que começou às 6 da manhã e que eu adoraria apagar da minha mente, caso me fosse possível!

Hoje foi a gota de água que faltava para transbordar um copo cheio, rodei completamente a baiana, desci dos saltos, perdi a cabeça, dei uma de barraqueira.
Pela primeira vez numa ida ao hospital tive que fazer uma reclamação por escrito no livrinho amarelo.

Depois de me levantar às 6 da madrugada e ir para o posto de saúde com a minha mãe, depois de não lhe ter sido dada consulta, depois de chegar ao hospital da nossa cidade, depois da triagem e uma pulseirinha verde, depois de 3 horas à espera e de ter percebido que, no máximo, a minha mãe deveria ser atendida em 120 minutos... eu dei uso ao direito à indignação.
Estava sem comer desde as 6.20 da manhã e eram 2 da tarde. Eu fico rabujenta se tiver fome, mais rabujenta quando tenho que que esperar e pioro quando tratam mal as pessoas.

Mais do que nunca, acho que quem tem medo de perder a classe também perde tudo e eu, que nem tenho nada a perder e, podendo perder a classe mas não a minha dignidade, passei-me por completo. Se o outro me visse diria: "Onde estão as lamparinas do seu juízo?" - apanhei esta na Tv noutro dia e agora não quero outra coisa! - e eu diria:
- Fundiram-se e o técnico não veio mudá-las :)

A minha mãe entrou novamente para a triagem para nova avaliação. O enfermeiro lá perguntou o que se passava e eu, possuída no máximo, lá disse:
-Passaram-se 3 horas, é o que se passa!
Depois de explicar o que se passava pediu uns minutinhos para falar com a médica.
Deve viver num universo paralelo onde o tempo passa muito devagar, porque os minutinhos transformaram-se em 1h15m e eu voltei a perder as lamparinas do meu juízo :)

Fiz uma reclamaçãozinha por escrito - não sei se vai para o caixote do lixo, mas sempre serviu para me aliviar um bocadinho o stress - e, passados 10 minutos, entramos.
Uma médica estrangeira (a minha mãe não entendia nada e ainda tive que fazer de intérprete!) viu a minha mãe e enviou-a para o Porto, perguntou se esperamos muito e eu fiz a minha reclamação oral. Indignada virou-se para mim e disse que não admitia reclamações.
- Ai não admite?! - disse eu. - É que eu já reclamei, está reclamado!

Desgraçada, em português pouco entendível, disse que os médicos não têm culpa!
- Então quem tem culpa, os doentes que estão cá para serem atendidos e diagnosticados? Eu tenho é que reclamar com quem cá está! - disse eu num ar mais desgraçado que o dela!

Lá se chegou à razão e concordou, diz que só estavam dois médicos num serviço de urgências e aquilo estava um caos, que também já reclamaram e que os doentes fazem bem em reclamar.

Hellooo!!! Dótora, onde estão as lamparinas do seu juízo também? Ou admite ou não admite reclamações, decida-se mulher!

Roteiro resumido:
Posto de saúde > Hospital João de Deus > Hospital de São João > Hospital João de Deus novamente = nada, a minha mãe afinal não tem nada!

Há coisas fantásticas não há? Queixas da perna com inchaço visível, dificuldade em andar e afinal não tem nada.

Eu ainda lhe disse:
- Ó mãe, dizias como a Florichoca: "Não tenho nada mas tenho tenho tudo. Sou rica em sonhos e pobre pobre em ouro!" :)
Afinal, fomos só dar umas voltinhas de ambulância com direiro a sirene e tudo ;)

De volta ao hospital cá da cidadezinha, com o relatório da alta nas mãos, dizem-nos que temos que passar novamente pela triagem e pela espera.
Ahhh? Como? Quem é que perdeu as lamparinas do juízo desta vez? Eu é não fui porque já não tinha mais lamparinas para perder mas, queimei o fusível e resmunguei que se fosse para esperar mais 5 horas que nem pensassem nisso.

Blá blá blá, se a sua mãe assume que não tem nada, então pode ir embora - dizia a recepcionista arrogante!

Mau mau mau mau, mais lamparinas perdidas? Quem diz que a minha mãe não tem nada são os médicos, se não tem nada, não fica cá a fazer nada! Adeus e até nunca mais que nós vamos neste.

Cheguei a casa às 18.30, mais de 12 horas para saber o que a minha mãe tem e o diagnóstico é nada! De facto tudo que incha, desincha e passa... nem sei dizer mais nada :)

Amanhã nova corrida para o posto de saúde para ver se encontramos alguém que tenha as lamparinas todas a funcionar e que saiba o que fazer :) Com sorte, amanhã tenho mais aventuras para contar!

Isto já vai muito longo mas aproveito também para responder ao desafio da Sta que está aqui. Resumindo, temos que escolher uma receita de um blog, fazer e publicar. Já tenho esta que tirei do blog da Sta e está feita há muito tempo. Ou seja, já foi comida e aprovada há bué :)

Tivesse eu um pão destes hoje e não teria passado tanta fome!



Ingredientes:
200 ml de leite morno
50 ml de água morna
50 g de margarina
120 g de açúcar (usei apenas 100)
2 colheres (sopa) de farinha custard (foto aqui)
500 g de farinha (usei 400 de farinha normal e 100 de farinha integral)

Preparação:
Colocar na cuba todos os ingredientes pela ordem, programar "pão doce". No final do 2º amassar adicionem as sementes e está pronto para ser devorado.


Continuação de boa semana, que seja bem melhor que a minha ;)

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publicado por Ameixinha às 22:00 | link do post | comentar | partilhar