Quarta-feira, 14.11.12

Pudim de laranja da minha mãe

 

A minha mãe nunca fez um bolo, mas é exímia a fazer leite creme e pudim. Foram essas sobremesas que aprendi a fazer com ela e, agora que ela precisa mais de mim, tenho-me esforçado para fazer, pelo menos, o pudim que ela tanto gosta. O único que sempre fez foi o de laranja que eu um destes dias, num acto de loucura, substituí por um café expresso e ficou tão bom quanto este que vos deixo. É uma receita tão simples que permite variações de forma a obter sabores diferentes. Um pudim da minha mãe, para a minha mãe.

 

Ingredientes:

5 ovos inteiros

5 colheres (sopa) de açúcar

1 chávena de leite

1 colher (sopa) de amido de milho

sumo de 1 laranja

 

Preparação:

Dissolva a farinha no leite e junte aos restantes ingredientes. Passe na varinha mágica ou liquidificadora e despeje numa forma de pudim caramelizada.

Coloque na panela de pressão com água até atingir meia altura da forma, feche e leve a cozer por cerca de 20 minutos. Desenforme e sirva frio.

 

Abraços a todos e bom resto de semana ;)

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publicado por Ameixinha às 23:05 | link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar
Sábado, 03.11.12

Puré de feijão com estória

 

 

A viúva, a mal-casada e a divorciada:

 

Todos os dias, à mesma hora de sempre, ela param defronte do portão de uma delas e tagarelam. Falam apressadamente como quem quer contar toda uma vida num minuto só. Atrapalham-se as falas mas elas entendem-se perfeitamente. O corte e a costura dão pano para mangas. Ficam no corte da casaca todos os dias, ao fim da tardinha, na hora em que o cansaço se desvanece para tomar conta delas logo a seguir, mal chegam a casa e têm mais uma quantidade de trabalho por sua conta. A aldeia serena acorda com o burburinho e as vizinhas mais curiosas afiam o ouvido. Palavras soltas é tudo o que se consegue apanhar porque, mais uma vez, elas atropelam-se nas estórias de vida, nas contas que fazem à vida e em tudo o que podem dizer agora e cujo barulho das máquinas, e a patroa ditatorial, não deixam dizer nas horas do trabalho miserável. São todas da mesma faixa etária, todas desgraçadas à sua maneira, todas a tentar mudar de vida naquele instante, porque ainda são demasiado novas mas sentem que o futuro chegou-lhes depressa demais. Nelas já não há o amor de outrora, perdeu-se por condicionantes da vida madastra. Enquanto uma faz de conta que é feliz, as outras foram-no e agora choram-se por tudo que perderam. Mas aquele momento tão profano de tagarelice é a altura do dia mais sagrada para todas elas.


Ingredientes:

60 ml de azeite, mais duas colheres de chá

1 dente de alho, esmagado

1 raminho de alecrim fresco, opcional

casca ralada e sumo de 1 limão

800 g de feijão branco cozido

4 bifes do lombo ou costeletas 

sal a gosto

 

Preparação:

Deite o azeite numa panela e junte o alho. Acrescente o raminho de alecrim, se usar, a casca de limão e aqueça por todo. Retire o alecrim e reserve.

Escorra o feijão e passe-o por água corrente para retirar a goma, acrescente-o à panela e aqueça, mexendo e misturando com uma colher de pau para que o feijão fique num puré grumoso. Tempere a gosto; alguns feijões ficam mais salgados que outros.

Aqueça uma colher de chá de azeite numa frigideira grande e cozinhe os bifes em lume forte durante um minuto e meio de cada lado. Retire para pratos aquecidos, polvilhando-os com sal a gosto.

Esprema o sumo de limão na frigideira quente, deixe-o ferver com o azeite e os sucos da carne e, a seguir, verta-o sobre os bifes. Sirva de imediato com o puré de feijão decorado com o raminho de alecrim.

 

Receita retirada do livro "Na cozinha com Nigella".

 

Bom fim de semana!


publicado por Ameixinha às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

mais sobre mim

a possuída moída

Sobrevivo numa selva de hipocrisia, burocracia e cegueira de quem não quer ver. Prefiro não me lembrar da crise de valores que vivemos, mesmo sendo quase impossível esquecer-me disso. Cozinho e como com prazer, mesmo que alguma culpa surja depois. Gosto de andar a pé sozinha, viajar de comboio com um livro na carteira, dizer "Bom dia" com convicção e a sorrir. Ajudar quem precisa é o que me permito fazer sem pensar duas vezes, embora haja muita gente mal-agradecida. Sou adepta da boa disposição, da humanidade e respeito nos serviços de saúde e educação, acredito na capacidade de generosidade e bondade das pessoas que me rodeiam. Entristece-me que, nem sempre, essas capacidades sejam canalizadas quando deveriam. Não gosto das vizinhas coscuvilheiras e de pessoas mal educadas, prepotentes e ocas. Os meus olhos transmitem tudo o resto de mim e são cor da canela. Amo a Fauna e a Flora. Adoro o Outono e as folhas que caem. Não vejo qualquer utilidade em peluches. E a única coisa que é afrodisíaca é o amor.

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