Quinta-feira, 25.10.12

Fatias douradas em calda de laranja

 

Oh como eu amo os dias inspiradores de Outono! A única coisa que se ouve é o chilrrear dos passarinhos que saúdam os poucos raios de sol. Dou graças pelas vizinhas que se recolhem à sua insignificância e abandonam, temporariamente, as varandas gastas. A névoa no vale vai desvanecendo enquanto a manhã acorda, parece fumaça sacrificial e Deus presenteia-nos com arco-íris de emoções. Mais que um adeus às coisas que hibernam, há um acolher de um novo céu e uma brisa que toca os corações entristecidos. As maravilhosas nuvens que passam, salpicam os dias de um cinzento sombrio rasgado pelo azul ciumento que o Verão lhes emprestou. O aroma a canela sacode os sorrisos. Abençoada bondade que ilumina a escuridão!

 

 

Ingredientes:

220 g de açúcar amarelo

1,6 dl de leite

25 g de margarina

2 ovos inteiros e 3 gemas

8 fatias de pão de forma 

1 dl de água

sumo de 1 laranja

1 pau de canela

 

Preparação:

Leve ao lume o leite, a margarina, 60 g de açúcar e deixe ferver. Misture os ovos inteiros com as gemas. Embeba as fatias de pão na mistura de leite e passe-as, em seguida, pela mistura de ovos. Coloque-as num tabuleiro previamente untado e leve ao forno forte até as fatias estarem douradas à superfície. Volte-as com a ajuda de uma espátula e deixe alourar do outro lado.

Entretanto, prepare a calda: misture a água com o sumo de laranja, o restante açúcar e o pau de canela e leve a ferver em lume brando durante cerca de 10 minutos. Coloque as fatias douradas numa travessa e regue-as com a calda.

 

 

 

Obrigada a todos pelo carinho e por insistirem em cá passar. Infelizmente, o meu bicho foi internado novamente, a minha mãe precisa muito de mim e eu precisava de mais 10 horas no dia para conseguir fazer tudo o que quero :)

Abraços

 

Fonte:

Doces momentos nº30.

publicado por Ameixinha às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar
Segunda-feira, 15.10.12

Arroz Goodinho

Como é hábito, o cão ladra e avisa que está aí alguém. Oiço alguém cantar:

"Viva o cão raivoso, tem o pêlo eriçado, seu dente é guloso e o seu faro ajustado, cão raivoso, cão raivoso, cuidado!"

Abro a porta e ele saúda-me, pergunto-lhe se está bem e ele responde:

-"Estou velho, dói-me o joelho, dói-me parte do antebraço, dói-me a parte interna de uma perna e parte amiga da barriga, que fadiga o que é que eu faço? Escolho o baço ou almoço?"

-Ó Sérgio, poderá ser jantar? - pergunto eu - Aproveitas e contas como é que tudo começou enquanto saboreias o momento. Conta lá!

- "A princípio é simples, anda-se sozinho, passa-se nas ruas bem devagarinho. Está-se bem no silêncio e no borborinho, bebe-se as certezas num copo de vinho."

- Eu não presto pra nada Sérgio, sou miúda de copinho de água! - mas ele retruca:

- "Bebe-se e come-se se alguém nos diz: bom proveito! E vem-nos à memória uma frase batida: hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!"

- A comer e a beber assim, isto é o fim pah! - afirmei.

- "Com esta austeridade nem sequer dá pra ir desta pra melhor, os funerais estão por um preço do outro mundo, dá pra desentristecer um moribundo."

- "Mudemos de assunto", como estamos de amores? - pergunto-lhe eu.

- "Por ódio passado, que seja maldito, amor favorito não tem importância, se for é de circunstância". 

- Pois, o amor também está em crise e, por falar nisso, "arranjas-me um emprego"?

- "Portugal, é nosso pró bem e pró mal."

Tento virar o rumo da desgraça perguntando:

- Ai, adiante... o jantar está bom? 

- "É tão bom uma amizade assim, ai faz tão bem saber com quem contar."

- Realmente, a vida é feita de pequenos nadas Sérgio. Estás "com um brilhozinho nos olhos. O que é que aconteceu diz lá?"

- "É que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há!"

- Sérgio, este jantar "hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a pouco, hoje soube-me a pouco."

- Sinceramente, foi "melhor que o amor" e que "a noite passada" - diz ele.

- Isto não "há-de ser o fim de tudo" - espero eu.

 

 

 

Arroz de frango no forno

 

1 frango

100 g de bacon aos pedacinhos

100 g de chourição aos pedacinhos

1/2 pimento vermelho picado

1/2 cebola picada

1 dente de alho picado

azeite q.b

2 folhas de louro

sumo de 1 laranja

1/2 chávena de vinho branco

sal q.b.

1/2 colher (chá) de pimentão doce

1/2 colher (chá) de açafrão turco

400 g de arroz

queijo ralado q.b

 

Preparação:

Leve o frango a cozer em água temperada de sal, grãos de pimenta e louro. Reserve a água da cozedura e desfie o frango depois de cozido e arrefecido.

Numa frigideira leve o bacon e o chourição a refogar e reserve. Refogue a cebola, alho e pimento em azeite. Envolva o açafrão e pimentão e junte o arroz. Regue com 8 dl de caldo de cozer o frango, o sumo da laranja e o vinho. Deixe cozinhar por cerca de 10-12 minutos. Adicione o frango, o bacon e o chourição e envolva. Coloque dentro de uma assadeira, cubra com o queijo e alguma da carne fumada e leve ao forno quente até o queijo derreter e dourar.

 

 

Com esta receita que me ensinaram, participo no projecto "Convidei para jantar", desta vez alojado no blog Hoje para jantar temos... 

Resta-me dizer que eu não tenho ídolos, sejam eles de que área forem, mas gosto muito de música e acho que, cada vez mais, temos compositores de excelência em Portugal e em português. Sérgio Godinho é um deles.

 

Boa semana a todos que por aqui passam :)

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publicado por Ameixinha às 22:20 | link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar
Terça-feira, 02.10.12

Espetadas com molho tandoori



Se sabe a Índia? Não, não sabe porque lá as vacas são sagradas e seria de mau tom apresentar um espeto destes à maioria da população indiana. Não acho que as bichas sejam sagradas mas, por mim, também podiam passear-se por aí porque não é a minha carne favorita. Borrego teria sido melhor, era mesmo a sugestão de carne a usar mas à falta de méeeee, houve muuuu ;) E depois tivemos porco, que é coisinha que não falta neste mundo e que não é sagrado em lado nenhum, pois não? Bem, ultimamente o que não faltam são porcos enaltecidos que estavam bem era no espeto, mas não nos cabe a nós julgar; e a esta hora da noite já nem tudo está organizado no meu patamar de cima. 

Vim cá ao blog apenas para dizer que, dado que o tempo quente continua, nada melhor que um arroz malandro de tomate e umas espetadas para aproveitar estes dias. Que acham?

 

Ingredientes:

750 g de carne (usei vaca e porco mas pode ser borrego ou frango)

1 pimento grande e sem sementes

1 colher (sopa) de azeite

 

Molho:

1 cebola pequena

1 dente de alho

2 pimentos verdes sem sementes

4 colheres (sopa) de iogurte natural

2 colheres (sopa) de azeite

2 colheres (sopa) de sumo de limão

2 colheres (sopa) de caril ou garam masala

1 colher (chá) de açafrão

1 colher (chá) de paprika

1 chouriço de colorau

 

Preparação:

Corte a carne e o pimento em pedaços pequenos.

Coloque os pedaços de carne nos espetos, alternando com os pimentos e o chouriço. Coloque os espetos numa travessa grande.

Triture todos os ingredientes do tempero tandoori. Deite o molho uniformemente sobre os espetos. Cubra com película aderente e deixe marinar no frigorífico por 3-4 horas. Dê-lhes uma volta pelo menos uma vez.

Aqueça o grelhador ou faça as brasas e leve a grelhar, girando sempre, para que cozinhem por igual. Sirva.

 

Receita baseada na revista "Boa mesa" nº11.

 

 

publicado por Ameixinha às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

mais sobre mim

a possuída moída

Sobrevivo numa selva de hipocrisia, burocracia e cegueira de quem não quer ver. Prefiro não me lembrar da crise de valores que vivemos, mesmo sendo quase impossível esquecer-me disso. Cozinho e como com prazer, mesmo que alguma culpa surja depois. Gosto de andar a pé sozinha, viajar de comboio com um livro na carteira, dizer "Bom dia" com convicção e a sorrir. Ajudar quem precisa é o que me permito fazer sem pensar duas vezes, embora haja muita gente mal-agradecida. Sou adepta da boa disposição, da humanidade e respeito nos serviços de saúde e educação, acredito na capacidade de generosidade e bondade das pessoas que me rodeiam. Entristece-me que, nem sempre, essas capacidades sejam canalizadas quando deveriam. Não gosto das vizinhas coscuvilheiras e de pessoas mal educadas, prepotentes e ocas. Os meus olhos transmitem tudo o resto de mim e são cor da canela. Amo a Fauna e a Flora. Adoro o Outono e as folhas que caem. Não vejo qualquer utilidade em peluches. E a única coisa que é afrodisíaca é o amor.

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