Sexta-feira, 30.09.11

Pêras em vinho tinto


Foi a tropa que o pôs assim! Era o que toda a gente dizia dele. A tropa avariou-lhe os miolos e ele agora anda ao Deus dará. Metido nos copos e a pedir cigarros a quem passa. Com olhos raivosos, cantos da boca a sorrir e as mãos sempre atrás das costas, de estatura pequena e pele bem morena, só para assustar quem por ele passava ao cair da noite. É o andar para trás e para diante que lhe gasta os ossos, e o sol cravejado na pele fá-lo parecer muito mais velho e mau. Alimenta-se do vício com o dinheiro que o Estado lhe dá, uma pensão social atribuída por conta da "avaria" causada no serviço militar. Não sabe se chegou a ir para o mato, nem o país em que desembarcou mas sabe que esteve no chamado Ultramar. Só a palavra parece causar-lhe um sofrimento atroz. "A tropa vai fazer de ti um homem" - dizia-lhe a mãe que lhe amparava sempre a bebedeira juvenil. Morreu arrependida com aquelas palavras atravessadas, afinal a tropa roubou-lhe o menino e devolveu-lhe um rapaz que nunca mais conheceu.

Ingredientes:
Casca de meio limão, em fatias
1 pau de canela
100 gr de açúcar
375 ml de vinho tinto
250 ml de água
4 pêras maduras, peladas, descaroçadas e partidas ao meio

Preparação:
Combine os 5 primeiros ingredientes numa panela larga e leve a lume médio. Mexa até dissolver o açúcar, depois reduza o lume para o mínimo. Coloque as pêras dentro e deixe-as cozinhar por 15-20 minutos ou até estarem tenras. Deixe-as arrefecer no líquido, depois transfira para o prato de servir e reserve. Coe o líquido e leve-o a ferver até reduzir para 1/3. Deite o xarope por cima das pêras e refrigere até servir.

Notas:
Usei cerca de 10 pêras pequeninas e enfiei-as no wok.
Receita retirada do blog Kitsch in the kitchen.
publicado por Ameixinha às 22:20 | link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar
Terça-feira, 20.09.11

Bolo mármore sem farinha


Se os bolos curassem, este seria um dos que se venderiam nas farmácias. Porque há dias em que as palavras ficam mudas e as imagens, não valendo mais que mil palavras, ajudam a perceber o quanto a receita é boa :)

Ingredientes:
225 g de queijo-creme
2/3 chávena de açúcar
1 ovo
1 colher (chá) extracto de baunilha

280 g de chocolate meio-amargo, ficamente picado
140 g de manteiga, cortada em 6 pedaços
3 ovos
1/3 chávena de açúcar
1 colher (sopa) rum ou café expresso (usei café)
1 colher (chá) extracto de baunilha
1 pitada de sal
cacau para polvilhar

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 150ºC. Unte uma forma redonda e forre-a com papel vegetal.
Faça a massa de queijo-creme: numa tigela, bata o queijo até ficar mole. Adicione o açúcar e continue a bater até não ter grumos. Adicione o ovo e a baunilha, batendo até ficar homogéneo. Reserve.
Para a massa de chocolate, derreta o chocolate com a manteiga no microondas. Mexa até ficar suave e reserve até arrefecer ligeiramente. Bata os ovos, açúcar, expresso, baunilha e o sal até a mistura ficar pálida e espessa, cerca de 3-4 minutos. Vá envolvendo o chocolate derretido na mistura e continue a bater até estar bem misturado.
Espalhe metade da massa de chocolate na forma, depois adicione, alternadamente, colheradas das massas. Com uma espátula ou faca, misture gentilmente as duas massas. Bata com a forma na bancada para que a massa assente.
Leve ao forno até que um palito saia húmido mas não traga massa líquida. Não deixe cozer demasiado. Deixe arrefecer na forma até estar morno. Retire e polvilhe com o cacau o fundo do bolo.
Coloque-o direito e deixe arrefecer completamente, cubra e leve ao frigorífico até estar bem gelado. Sirva.


Notas:
É um bolo muito intenso que retirei do site Fine Cooking. Tenho pena de não ter conseguido obter o efeito marmoreado porque envolvi demasiado as massas.
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Sábado, 17.09.11

Dourada grelhada com couve salteada


Tinha sonhado com ele outra vez! Não havia direito de invadir o seu íntimo assim, tão de repente, sem avisar, sem ter sido convidado. Porque é que insistia em atormentá-la naquele desconforto, se já sabia que ele não era dela nem seria para ela? Para ela, que sofria tão silenciosamente aquele amor não correspondido, era difícil aguentar a presença dele sem ter qualquer controlo, sem se poder fazer de difícil para que ele percebesse que ela valia mais do que ele pensava! Foi uma peixeirada, uma peixeirada eu vos digo. Ali mesmo, naquela noite chuvosa e fria, ela descontrolou-se, o sonho virou pesadelo e virou-se a ele como se ele tivesse toda a culpa de não a conseguir amar como ela queria. Ele ouviu-a e quase sentiu o seu coração quebrado, ele descrente porque não tinha pedido para estar ali e ela, completamente furiosa por querer que ele estivesse ao seu lado quando acordasse! E acordou, ainda mais furiosa por estender as mãos e não o ter ao seu alcance. Mas o que ela ainda não conseguira perceber é que a ele apenas lhe faltavam as palavras certas para meter conversa com ela, sempre que a via parecia gaguejar e, por isso, renunciava à paixão refugiando-se no seu canto, quase despercebido. A timidez mata o amor, quase tanto como a mágoa e o azedume de se sentir rejeitada sem o ser.

Ingredientes para o peixe:
4 douradas com cerca de 350 g/cada
sal
pimenta em grão
1 limão
0,5 dl de azeite
1 folha de louro
1 haste de tomilho
batatas cozidas

Preparação:
Amanhe as douradas, lave-as em água corrente e enxugue com papel de cozinha. Tempere ligeiramente com sal.
Misture numa tigela uma pitada de sal, pimenta moída na altura, sumo do limão, azeite, o louro cortado e o tomilho desfolhado. Pincele os peixes com a marinada, coloque-os numa grelha pré-aquecida e grelhe dos dois lados, sobre brasas, sem deixar cozinhar demasiado e pincelando-os várias vezes com a marinada.
Coe a restante marinada e sirva com o peixe. Sirva com batatas cozidas.

Ingredientes para a couve salteada:
450 g de couve-coração ou couve lombarda
2 colheres (sopa) de azeite
2 dentes de alho, finamente fatiado
1/2 colher (chá) de sal

Preparação:
Remova os pedaços mais duros da couve. Enrole as folhas e corte-as finamente.
Aqueça uma frigideira ou wok sobre lume forte e adicione o azeite e o alho quando estiver bem quente. Frite, mexendo constantemente por não mais de 30 segundos. Junte o sal e a couve e cozinhe, mexendo e envolvendo a couve no azeite quente, por 3 minutos ou até que a couve esteja cozida mas crocante. Sirva num prato aquecido.

Notas:
A receita do peixe foi retirada da Revista Boa Mesa nº 22/2005, e a couve salteada do livro "Real fast food" do Nigel Slater. Tanto uma como outra fazem parte das refeições repetidas cá de casa. As douradas que usei  tinham menos que 350 g cada uma, não assei sobre brasas, usei um grelhador elétrico e resultou na perfeição. Fiz uns ligeiros cortes no lombo dos peixes para que assassem melhor.

Bom fim de semana!
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Quarta-feira, 14.09.11

Pudim de sêmola com caramelo


Que calor é este que hoje um gafanhoto atarantado atravessou-se à minha frente e não deu nem sequer um pisca? O bicho de certeza que pensou que ainda estava em Agosto! E como está calor, nada melhor que um pudim fresquinho e pouco doce para a sobremesa. Já repeti a receita, que entrou para o rol de pudins cá de casa, para variar um bocadinho do pudim de laranja que é a única sobremesa que a minha mãe faz.
O meu pai é um espécime particular. Aos Domingos, a minha mãe pergunta-lhe sempre o que ele quer de sobremesa e ele acaba por escolher sempre aquela que não foi feita. Andou uns meses a pedir pudim quando o que havia era salada de fruta, e agora saiu-se com uma nova: "há mousse de chocolate?". Fez-se pudim e agora vai ter que se fazer a mousse para calar o homem. Até tenho medo do pedido seguinte :)

Ingredientes:
60 g de sêmola
0,5 l de leite
1 casca de limão
200 g de açúcar
4 ovos
2 colheres (sopa) de caramelo

Para o caramelo:
150 g de açúcar

Preparação:
Com os 150 g de açúcar, prepare o caramelo e forre com ele uma forma de pudim.
Num tachinho, misture a sêmola com o leite e a casca de limão e leve ao lume a ferver; depois retire e deixe arrefecer.
Quando a mistura estiver fria, junte-lhe o açúcar, os ovos e o caramelo. Misture bem sem bater e passe tudo por um coador.
Deite o preparado na forma e leve a cozer em banho-maria, cerca de 50 minutos, em forno a 160ºC.
Verifique se o pudim está cozido antes de o retirar do forno e desenforme-o só depois de frio.

Notas:
Diminuí a quantidade de açúcar do pudim, usei 180 g. Podem usar caramelo de compra. Usei sêmola de milho.
Cozi o pudim na panela de pressão por cerca de 20-25 minutos.
Receita retirada da Tele Culinária nº 1192 de 2002.
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Domingo, 11.09.11

Courgette com limão e tomilho


Acho que o próximo livrinho que tem que entrar na minha lista é o What will i do with all those courgettes?, porque no próximo ano eu conto ter tantas courgettes como tive este ano, e uma pessoa tem que variar :)
Grave é a época já ter terminado este ano e eu ainda ter umas quantas receitas feitas, sendo que este acompanhamento não é a minha última sugestão. É a loucura, eu sei, mas parece ser uma loucura saudável e partilho-a com quem tem a mesma paixão que eu por estes legumes que, na realidade, são frutos.
Fica aqui um acompanhamento simples mas cheio de sabor a Verão, para queimar os últimos cartuchos do calor e servir no último churrasco ;)

Ingredientes:
680 g de courgette
2 colheres (sopa) + 2 colheres (chá) de azeite
sal e pimenta moída
1 colher (sopa) de sumo de limão
1 colher (chá) de tomilho fresco

Preparação:
Corte a courgette em pedaços grandes. Numa frigideira aqueça o azeite em lume médio-alto. Adicione a courgette e mexa. Tempere com sal e pimenta e cozinhe até ficar dourada, cerca de 4 minutos. Coloque numa travessa de servir e adicione o sumo de limão e as folhas de tomilho.

Notas:
Receita retirada do site da Martha Stewart.
Substituí a pimenta moída por pimenta de espelta e o tomilho fresco por tomilho sal-puro Ervas da Zoé.

Bom Domingo!

publicado por Ameixinha às 13:43 | link do post | comentar | ver comentários (31) | partilhar
Quinta-feira, 08.09.11

Barritas

Barritas

Regresso às aulas, ao trabalho, regresso à rotina, ao stress diário, aos patrões possuídos, aos intervalos demasiado curtos, aos lanches que quase não chegam ao estômago de tanta pressa em comer para ainda ter tempo de ir à casinha fazer um xixi. Esta vida é uma seca cinco dias por semana :)
Sejam vocês adolescentes esfomeados, jovens académicos, donas de casa, senhoras trabalhadeiras ou dótores com a mania das grandezas, não deixem de ter uma barrita de cereais para acalmar o estômago a meio da manhã ou da tarde. Pode salvar vidas ou, pelo menos, ajudar a passar os dias manhosos. É que o doce nunca amargou.

Ingredientes:
1 lata de leite condensado
250 g de flocos de aveia
75 g de coco ralado
100 g de arandos secos
125 g de sementes variadas (papoila, gergelim, girassol, abóbora, etc)
125 g de amendoins sem sal

Preparação:
Pré-aqueça o forno a  130 ºC e unte uma forma de 23x33x4 cm, ou use uma forma descartável.
Aqueça o leite condensado numa caçarola.
Entretanto, misture todos os outros ingredientes e junte-os ao leite condensado, usando uma espátula de borracha ou de madeira para misturar e distribuir.
Espalhe a mistura na forma e calque com a espátula ou com as mãos (usando luvas de vinil descartáveis para impedir que se cole aos dedos), para uniformizar a superfície.
Coza durante 1 hora, retire do forno e, cerca de 15 minutos mais tarde, corte em quatro na vertical e em quatro na horizontal, para fazer 16 barras compactas. Deixe arrefecer completamente.

Notas:
Receita retirada do livro "Na cozinha com a Nigella".
São super fáceis de fazer e rendem bastante. Das vezes que fiz obtive mais que 16 barras, mas depende também do tamanho em que são cortadas.
Guarde as barritas numa lata, aguentam-se durante alguns dias.

publicado por Ameixinha às 13:45 | link do post | comentar | ver comentários (40) | partilhar
Segunda-feira, 05.09.11

Sorvete de limão


Nos dias de muito calor saía de casa como se fosse muçulmana. A tez branca e os olhos sensíveis não lhe permitiam andar desprotegida. Besuntava-se de protector solar e cobria os cabelos com uma écharpe que combinava com o resto da vestimenta. A aldeia onde tinha sido parida era demasiado pequena, estava parada no tempo. Às vezes, ela sentia-se muito velha e os únicos sinais de modernidade eram o mp4 que levava sempre consigo, os óculos de sol e os cabelos assimétricos que iam escondidos. Passava pelas vizinhas e saudava-as com simpatia. Riram-se dela a primeira vez que saiu à rua assim, quase uma muçulmana, ainda com a face e a franja visível. Ela gostou, fez daquilo um hábito. Era a maneira de se tornar distinta dos demais. Antes isso que passar despercebida! - pensou ironicamente. Havia sempre alguém que criticava, uma vizinha sem nada para fazer que levava os trapos para lavar no tanque comunitário, ou uma velhota quase adormecida no parapeito da varanda a ver o mundo passar. Riam alto e comentavam sem pudor aquele atrevimento. De vez em quando, fervia por se sentir um alvo vivo em movimento. Depois passava, e ria por dentro contra a amargura direccionada sentindo a alegria de ser genuína.

Ingredientes:
2 limões orgânicos
1/2 chávena de açúcar
1/2 chávena de sumo de limão
2 chávenas de half-and-half
1 pitada de sal
limoncello (opcional)

Preparação:
Raspe a casca dos limões. Adicione o açúcar e junte tudo no liquidificador pulsando até obter uma mistura bem fina. Junte o sumo de limão e bata até se dissolver completamente. Adicione o half-and-half, o sal e bata bem. Deixe a mistura gelar, junte o licor e leve à sorveteira.

Notas:
Half-and-half é um produto constituído por metade natas e metade leite. Fiz a mistura em casa juntando uma chávena de natas e uma de leite.
Para quem não tem sorveteira, leve ao congelador e bata de hora a hora para quebrar os cristais de gelo.
Receita retirada do Chucrute com Salsicha.

Bom fim de semana :)
publicado por Ameixinha às 13:05 | link do post | comentar | ver comentários (35) | partilhar
Quinta-feira, 01.09.11

Salada marinada de courgette e alcachofra


O Verão foi-se e já é Setembro. A única réstea da estação é um louva-a-Deus que resolveu pendurar-se na minha janela. Não sinto sequer a frescura do dia, porque abrir a janela está fora de questão e matar o bichinho também não faz parte dos meus malévolos planos :) O único plano que tenho para já, é bombardear o blog com as últimas receitas de courgettes e, ao ver o ficheiro das fotos, reparei que ainda restam algumas sugestões. Aqui vai uma delas, que lembra os dias longos e quentes da estação que se despede.

Ingredientes:
4-5 courgettes pequenas
1 frasco de corações de alcachofras, drenadas
1 frasco de azeitonas, drenadas
1 pimento vermelho ou verde, cortado em pedacinhos
1 cebola vermelha, picada

Molho:
1 chávena de azeite e vinagre
sumo de 1/2 limão
1/4 chávena de parmesão
1 colher (sopa) de manjericão seco ou 3 colheres (sopa) de manjericão fresco
1 colher (chá) de oregãos secos
queijo parmesão q.b.

Preparação:
Corte as courgettes em quartos (se forem grandes, retire as sementes e a maior parte da parte branca). Leve a cozer ao vapor até estarem tenras, cerca de 3 minutos, escorra muito bem.
Abra as azeitonas, alcachofras e coloque-as num coador para que drene bem. Corte os pimentos e a cebola em pedacinhos pequenos. Combine a courgette, azeitonas, alcachofras e pimento num recipiente. Coloque um pouco do molho por cima, até cobrir os legumes e mexa gentilmente.
Deixe a marinar no frigorífico por 4-8 horas. Se puder, mexa de vez em quando para envolver o molho. Antes de servir, mexa e adicione mais um pouco do molho. Sirva com mais parmesão.
Para o molho é só misturar bem todos os ingredientes.

Notas:
Receita retirada do blog Kalyn's Kitchen.
A autora refere um tempero já pronto de azeite e vinagre, eu fiz a minha mistura em casa e usei menos de 1 chávena.
publicado por Ameixinha às 11:56 | link do post | comentar | ver comentários (36) | partilhar

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a possuída moída

Sobrevivo numa selva de hipocrisia, burocracia e cegueira de quem não quer ver. Prefiro não me lembrar da crise de valores que vivemos, mesmo sendo quase impossível esquecer-me disso. Cozinho e como com prazer, mesmo que alguma culpa surja depois. Gosto de andar a pé sozinha, viajar de comboio com um livro na carteira, dizer "Bom dia" com convicção e a sorrir. Ajudar quem precisa é o que me permito fazer sem pensar duas vezes, embora haja muita gente mal-agradecida. Sou adepta da boa disposição, da humanidade e respeito nos serviços de saúde e educação, acredito na capacidade de generosidade e bondade das pessoas que me rodeiam. Entristece-me que, nem sempre, essas capacidades sejam canalizadas quando deveriam. Não gosto das vizinhas coscuvilheiras e de pessoas mal educadas, prepotentes e ocas. Os meus olhos transmitem tudo o resto de mim e são cor da canela. Amo a Fauna e a Flora. Adoro o Outono e as folhas que caem. Não vejo qualquer utilidade em peluches. E a única coisa que é afrodisíaca é o amor.

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